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Cooperação via Autoridade Central: exemplo da Lei Cidade Limpa     
 
[OBS: para melhor aproveitar este artigo, sugiro primeiro ler o O que é o Dilema dos Prisioneiros como introdução]

Como resolver o Dilema dos Prisioneiros? Como conseguir a cooperação quando os incentivos induzem as pessoas para o egoísmo e individualismo, mesmo sabendo que no final todos perdem?

Uma das respostas é o uso de uma autoridade central que force os jogadores a colaborarem, sob pena de alguma sansão. É o que ocorreu com a Lei Cidade Limpa, em São Paulo, válida desde 2007.

Antes da lei, existia na cidade era uma verdadeira guerra de propaganda visual, um típico dilema dos prisioneiro. Para serem vistos, os comerciantes cada vez mais colocavam letreiros maiores em suas lojas. Como consequência, ninguém via nada, a logomarca sequer era notada e gerava uma poluição visual enorme. Assim, ninguém saia lucrando (apenas empresas de letreiros...)

Uma forma de converter esse esquema numa matriz de resultados é a seguinte:



Se as empresas não entrassem na guerra do "o meu é maior e mais luminoso", todos estariam OK (quadrante esquerdo superior - manter logo). Entretanto, a tentação era muito grande para se aproveitar: se a LOJA 2 aumentar seu letreiro, o seu logo vai aparecer "muito" e da LOJA 1 "nada" pois o grande ofusca o pequeno. O inverso ocorre se LOJA 2 aumentar e LOJA 1 manter o seu logo. O final você já sabe... se ambas aumentarem o tamanho do logo, todos aparecem "pouco".

Embora seja uma representação aproximada (Ok, muito, nada, pouco), o esquema demonstra a essência deste jogo. Existe uma estratégia dominante para aumentar o logo, uma vez que "muito" é melhor que "Ok", e "pouco" é melhor que "nada".

Como resposta a esse dilema, a prefeitura de São Paulo limitou o tamanho dos letreiros de cada loja para 4 m2 e até 5m de altura. Essas dimensões pode ser questionada do ponto de vista arquitetônico, entretanto, como política pública para combater a poluição visual e terminar a guerra entre as lojas (Dilema dos Prisioneiros), a lei é bem eficaz pois os jogadores (as lojas) não conseguiam entrar em cooperação por si próprios. Afinal, eles estavam numa armadilha e não sabiam sair dela. Se você tem uma loja e decide manter o logo, quem garante que seu vizinho não vai aumentar o dele? E se ele aumentar, ofuscando o seu, o que você fará?

Outro exemplo: quando os governos proibiram a propaganda de cigarro, em vários países, muitos acharam que seria o fim da indústria do tabaco. Mas não foi o que ocorreu. As empresas também estavam num Dilema dos Prisioneiros, presos a armadilha de gastar fortunas em propaganda. As campanhas publicitárias eram caras e ostensivas, mas o propósito era defensivo - as empresas faziam campanhas porque as demais faziam. O exemplo é similar ao nossos caso do posto de gasolina; se uma empresa deixasse de fazer propaganda, dado o investimento da outra, os clientes poderiam migrar de marca e transferir o lucro. No fim, a restrição da propaganda ajudou as empresas a evitar campanhas milionárias; embora sem este artifício para atingir o público, não perderam lucratividade pois os custos diminuíram.

Tanto no caso da lei Cidade Limpa, como na propaganda de cigarro ou no aumento/redução de preços, os jogadores (empresas, indivíduos) até agradecem uma autoridade central que as force um acordo coletivo que limite a competição e canibalismo.
 
 
Recapitulação     
 

 
 



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